Chincoã-pequeno (Coccycua minuta)


Saí-andorinha (Tersina viridis)

Macho adulto
Fêmea adulta
Macho jovem

Canário-da-terra-verdadeiro (Sicalis flaveola)

Macho
Fêmea

Seriema (Cariama cristata)

 


Carrapateiro (Milvago chimachima)


Japacanim (Donacobius atricapilla)



Tucanuçu (Ramphastos toco)


O Tucanuçu é uma ave Piciforme da família Ramphastidae. O maior dos tucanos mede de 55 a 61 cm de comprimento, sendo a espécie mais comum no Brasil Central. Também conhecido como tucano-toco e tucano-de-peito-branco.

É comum em áreas abertas, chácaras, cerrados, cerradões, matas ciliares, matas de galeria, pastos e até áreas urbanas.

Destaca-se pelo bico enorme, desproporcional ao corpo e de cor amarelo-alaranjado. Leve e constituído de material poroso, o bico é usado com habilidade para manusear desde pequenos frutos até lascas de troncos. O bico também serve na comunicação e no reconhecimento mútuo entre os tucanuçus.

Durante a maior parte do ano vive em casais, percorrendo os subsistemas do Cerrado em busca de frutas, insetos e pequenos vertebrados, principalmente filhotes de aves e ovos.

Visita árvores frutíferas como mamoeiros e abacateiros, em pomares próximos à mata ou na periferia de cidades. A espécie tem uma importante função ecológica como dispersora de sementes.

Também é comum ver a espécie em bandos pelas copas e pelo estrato médio ou sobrevoando rodovias e matas ciliares.

Aparece pousado até em lotes bem arborizados. Gosta de árvores altas, como o pau-de-tucano da borda das matas. Ao se deslocar, geralmente um membro do casal sai primeiro, seguido depois pelo outro. Em vôo, visto pelo dorso, apresenta um grande espelho branco, próximo da rabadilha.

Seu chamado, rouco, é semelhante ao de um sapo, mas muito alto.

O ninho é um oco já escavado por um pica-pau ou um papagaio, muitas vezes no oco de palmeiras como o buriti. Pode também nidificar em barrancos ou ocupar ninhos de pica-pau-do-campo (Colaptes campestris) em cupinzeiros terrestres. O casal choca quatro ovos brancos (coloração típica de ovos chocados por aves que nidificam em cavidades escuras) num leito composto por sementes regurgitadas. Os filhotes saem do ninho após várias semanas, com o bico menor que o do adulto, de cor amarelo-clara e sem a marca preta na ponta.

Espécie presente em todo o estado de Goiás.

Codorna-amarela (Nothura maculosa)



A Codorna-amarela é uma ave Tinamiforme da família Tinamidae. Também é conhecida como codorna-comum, codorniz, inhambuí, perdiz, perdizinho e papalvo (nome que os caçadores dão aos indivíduos que não voam bem e são mortos com facilidade).

Mede de 23 a 27 cm de comprimento e pesa de 165 a 340 gramas. O tamanho dos sexos pode variar muito. É a espécie mais comum do gênero Nothura. Possui coloração pardo-amarelada, mas o colorido da plumagem altera-se frequentemente de acordo com a cor da terra do local onde vive. É caracterizada pelas cores camufladas, em perfeita interação com o ambiente em que vive (formado por vegetação ressecada, moitas de capim, pedras, etc.).

Ocorre em campos ralos e baixos, campos limpos, campos sujos, cerrados, pastos e plantações. Não adentra matas ciliares, cerradões e cerrados densos, preferindo ambientes abertos. É mais adaptável que a perdiz às alterações antrópicas em seu habitat, tendo, inclusive, expandido sua ocorrência no Brasil Central nos últimos anos. Aparece nas áreas rurais próximas às residências e, se não é importunada, acostuma-se facilmente ao homem.

Vive aos casais e embora seja abundante, é dificilmente vista, pois vive oculta em meio à vegetação campestre e a plumagem representa uma excelente camuflagem em seu habitat. Se desconfiada pela presença de um observador, agacha-se e tenta se camuflar no solo, mantendo a parte posterior do corpo levantada. Alça vôo apenas como último recurso, lançando-se de uma vez para o alto com um pulo e batendo as asas no ponto mais alto que alcança. O vôo é curto, retilíneo e pesado, com ruído muito característico. Ocasionalmente, pode esconder-se em buracos.

Alimenta-se principalmente de insetos e outros invertebrados, além de folhas e sementes que complementam a dieta. Procuram pequenos artrópodes que se escondem na folhagem apodrecida do solo. Viram folhas e paus podres com o bico à procura de alimento, jamais remexendo o solo com os pés como fazem os galináceos. Catam carrapatos nos pastos e se aproveitam da movimentação do gado no meio da vegetação para apanhar insetos afugentados. Também cavam a terra a procura de raízes tenras e tubérculos, porém em pequena escala. Engolem pedrinhas para auxiliar a moela a digerir os componentes mais duros de sua dieta. Bebem regularmente sempre que houver água. A espécie sofre com o uso indiscriminado de inseticidas, que causam grande mortandade nessas aves.

O período reprodutivo atinge seu ápice na primavera e verão, embora varie de uma região para outra. Da mesma forma que a perdiz, cabe ao macho a tarefa de incubar os ovos e cuidar dos filhotes. Nidifica no solo chocando de 3 a 8 ovos de coloração chocolate-escuro, postos por várias fêmeas (poligamia). Ele não se empoleira enquanto se dedica a essa tarefa. Efetua de duas a três incubações por ano. Os filhotes, nidífugos, são alimentados com pequenos animais e tornam-se independentes bem cedo. A postura pode ser prejudicada por queimadas e trabalhos agrícolas.

Nesse período, escuta-se seu canto característico, uma sequência de piados ascendentes: “pi, pi, pi, pirr”, que se acelera, durando 8 segundos. O timbre de sua voz assemelha-se ao do grilo.

Entre seus predadores naturais incluem-se: gatos-do-mato, raposas, guaxinins, furões, iraras, gambás, o logo-guará (Chrysocyon brachyurus), gaviões e até corujas, como a suindara (Tyto alba) e a coruja-orelhuda (Asio clamator). Os ninhos podem ser predados por cobras, macacos, gambás e até pelo tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla).

Entretanto seu pior predador é o homem, pois são aves bastante apreciadas para caça, devido ao sabor de sua carne. Esse fato aliado ao uso indiscriminado de inseticidas tem reduzido suas populações em alguns locais.

Entre as aves com parentesco próximo pode-se citar a perdiz, os inhambus, macucos e demais codornas silvestres. No Brasil Central, também ocorrem a codorna-mineira (Nothura minor) e o inhambu-carapé (Taoniscus nanus), espécies cada vez mais raras devido a destruição de seu habitat, pois não se adaptam às mudanças feitas pelo homem no Cerrado.

Espécie presente em todo o estado de Goiás.

Pomba-galega (Patagioenas cayennensis)



Caracará (Caracara plancus)

O Caracará é uma ave Falconiforme da família Falconidae. Também conhecido como caracará, carancho, caracaraí e gavião-de-queimada.

Mede de 51 a 64 cm de comprimento.Um dos falcões mais comuns no estado de Goiás, se caracteriza pelo contraste entre a coloração preta do alto da cabeça e do corpo com o pescoço, rabadilha e baixo ventre que são amarelo-claros. A pele da face é nua e de coloração avermelhada. Quando em vôo destaca-se a mancha próxima à ponta da asa, peculiaridade que divide com o gavião-carrapateiro (Milvago chimachima), da qual se distingue por ser maior e pela coloração escura do peito e barriga. O jovem é semelhante ao adulto, com a pele da face arroxeada e as partes claras da plumagem em tons menos evidentes.

Comum, pode ser observado em qualquer área do Brasil Central, ocorrendo em uma ampla variedade de habitats abertos ou semi-abertos como campos, cerrados, pastos, plantações, banhados, beiras de estradas e rodovias, áreas urbanas e a zona rural, buritizais, beiras de matas, praias fluviais, matas de galeria e bordas de reflorestamentos. É incomum no interior de matas densas.

Vive solitário, aos pares, ou em grupos, beneficiando-se da atividade humana sobre a natureza. Pousa em árvores ou cercas, sendo frequentemente observado no chão, junto à queimadas e ao longo de estradas.

Oportunista e de hábitos generalistas, o carcará alimenta-se principalmente de carniça, apanhando animais atropelados em rodovias ao lado de urubus. Suas estratégias para a obtenção de presas vivas são variadas: caça lagartos, cobras, anfíbios e caramujos, rouba filhotes de outras aves e é comum observá-lo nos grandes gramados à procura de insetos, sobretudo no início da estação seca. Segue arados e incêndios, apresando animais espantados pelo fogo. Também come frutos de dendê e arranha o solo com os pés em busca de amendoim e feijão. Torna-se dominante em meio às grandes carcaças, repelindo o urubu-preto (Coragyps atratus) e o urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura).

Faz o ninho no alto de palmeiras, como o buriti ou em árvores altas, como eucaliptos nos meses de julho e agosto. Põe 2 ovos brancos manchados de marrom-avermelhado que são chocados pelo casal durante 28 dias. Normalmente os pais criam um único filhote por ninhada, que sairá do ninho a partir de novembro.

Espécie presente em todo o estado de Goiás.

Socó-boi (Tigrisoma lineatum)


 O Socó-boi é uma ave Ciconiiforme da família Ardeidae. Também conhecido como socó-pintado, socó-boi-ferrugem e taiaçu (em tupi: tai – riscado; açu – grande). Mede 93 cm de comprimento.

Localmente comum, ocorre em rios e lagos tomados por vegetação aquática, taboais alagados, pântanos e brejos no interior da mata e veredas.

Vive geralmente solitário, tornando-se mais ativo ao amanhecer e durante o crepúsculo. Se perturbado, permanece imóvel até voar, indo empoleirar-se no alto das árvores ou sumindo na imensidão dos pântanos e matas ciliares.

Oculto na densa vegetação, espreita peixes e outros organismos aquáticos (inclusive filhotes de jacaré e serpentes aquáticas), ficando em total imobilidade nas margens. Captura suas presas com seu afilado bico, dardejando-as em golpes certeiros e retendo-as entre a maxila e a mandíbula.

Reproduz-se isoladamente, fazendo o ninho em formato de plataforma com grandes gravetos frouxos, pondo um único ovo branco-azulado manchado de violeta. Os adultos costumam coletar o alimento da prole a grande distância do ninho. A procriação procede geralmente no início ou no fim da estação seca, quando o alimento para as aves aquáticas é normalmente mais farto. O indivíduo jovem é amarelado com pequenas manchas negras por todo o corpo, assemelhando-se ao socó-boi-baio (Botaurus pinnatus). A plumagem adulta é adquirida aos dois anos de idade.

O nome socó-boi é relacionado à sua vocalização, um esturro forte, semelhante ao mugido de um boi.

Espécie presente em todo o estado de Goiás.

Tico-tico (Zonotrichia capensis)


Mede 15 cm de comprimento. É uma das aves mais conhecidas do Brasil. São características da espécie o pequeno topete, o desenho estriado da cabeça e o colar ferrugíneo. O macho distingue-se da fêmea por eriçar mais frequentemente seu topete.

É comum em paisagens abertas como plantações, fazendas, chácaras e cerrados próximos à borda de matas ciliares, sendo incomum no interior de cidades no estado de Goiás. Abundante em locais altos expostos a ventos frios e fortes. É favorecido pelo desmatamento e pela drenagem de alagados, aumentando sua área de ocorrência. Não ocorre em área de matas contínuas.

Vive em casais isolados, sendo que o macho ataca tico-ticos vizinhos que invadam seu território. Ocasionalmente reúnem-se em pequenos grupos para alimentar-se.

Alimenta-se de insetos, sementes, grãos e frutos procurados no solo ou em pequenos arbustos. É implacável em suas caçadas atrás de insetos, enfrentando aves muito maiores, como o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus). É um pássaro de grande importância ecológica, pois come dezenas de insetos por dia.

Faz ninho em forma de tigela aberta e espessa, tecido com raízes e fibras vegetais secas, ficando oculto por touceiras de capim no solo ou em suas proximidades. Põe de 2 a 4 ovos esverdeados e salpicados de vermelho que são incubados durante 12 ou 13 dias.

O tico-tico é o principal alvo do pássaro parasita chupim (Molothrus bonariensis) que frequentemente deposita seus ovos no ninho da espécie, imitando perfeitamente a coloração dos ovos de seus hospedeiros, embora sejam maiores e mais arredondados. O filhote do chupim geralmente nasce primeiro e assim que nasce empurra os outros ovos para fora do ninho, matando-os. Por isso é comum ver o tico-tico alimentando filhotes negros e como o dobro do tamanho dos pais adotivos, que na verdade são filhotes de chupim.

Espécie presente em todo o estado de Goiás.

Udu-de-coroa-azul (Momotus momota)



O Udu-de-coroa-azul é uma ave Coraciiforme da família Momotidae. Também conhecido como udu-coroado e juruva.

É uma espécie presente em todo o estado de Goiás.

Mede 44 cm de comprimento. Uma das mais belas aves do Cerrado, o udu se caracteriza pela plumagem de cores espetaculares e a cauda, formada por duas longas penas centrais, em cujas pontas se formam duas raquetes.

É comum, vivendo no estrato baixo ou médio em todo tipo de matas abertas ou densas, matas ciliares, cerradões e áreas esparsamente arborizadas. Espécie bastante flexível ecologicamente, pode ocorrer até em pequenas matas em parques urbanos, ocupando áreas antrópicas anexas ao seu biótopo. Desaparece em áreas de monocultura e pecuária extensivas, pela remoção completa da vegetação natural.

Vive solitário ou aos pares, com pouca associação entre os indivíduos. Se perturbado, balança a cauda de um lado para o outro. Não teme o ser humano, permitindo uma boa aproximação.

Permanece pousado imóvel por algum período, voando repentinamente até a folhagem, galhos ou o chão para apanhar presas. Tem dieta mista, composta por frutos e artrópodes, peixinhos, anfíbios, répteis, pequenos mamíferos, pássaros e seus filhotes. Segue formigas-de-correição, eventualmente.

O canto é semelhante ao de uma coruja, emitido mais freqüentemente no clarear e escurecer, embora possa ser escutado a qualquer hora do dia e da noite.

O período reprodutivo é de julho a novembro. Nidifica em buracos escavados em barrancos ou no solo, onde escava seu túnel de 0,6 a 4 metros de profundidade, chocando entre 3 e 5 ovos brancos.

As  fotos só podem ser utilizadas com a seguinte citação:


MELO, F. M. (2010). [WA299417, Momotus momota (Linnaeus, 1766)]. Wiki Aves - A Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponível em: <http://www.wikiaves.com/299417> Acesso em: (coloque a data).

Periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri)


 Mede 23 cm de comprimento. Possui coloração geral verde, asas em um tom mais escuro. Caracteriza-se pelas faixas amarelas presentes nas asas, fato que lhe rendeu o nome popular.

Possui uma dieta variada, utilizando várias espécies botânicas como fonte de alimento. Alimenta-se principalmente de frutos, mas também de sementes e flores. Gosta dos frutos das palmeiras e na cidade, visita os quintais com árvores frutíferas, especialmente goiabeiras (obs. pessoal), deliciando-se de seus frutos. Contribui com a dispersão de sementes, deixando as cair no solo enquanto se alimenta, ou as eliminando pelas fezes.

Nidifica nas escarpas rochosas das chapadas, em barrancos e cupinzeiros arbóreos, ou em ocos de árvores (Sigrist, 2009), também podendo utilizar ninhos abandonados de joão-de-barro. A postura é de até 5 ovos.

São aves barulhentas, (ouça aqui) vocalizando constantemente enquanto voam ou durante suas algazarras na vegetação, de modo que muitas vezes é difícil encontrá-los, pois se camuflam com o verde de seu habitat (obs. pessoal). Vivem em bandos de tamanhos variáveis, provavelmente se isolando em casais na época de reprodução. Quando em voo percebe-se o belo contraste de cores entre o amarelo das asas e os tons de verde de sua plumagem.

Vive em cerrados, matas ciliares, matas de galeria, matas secas, campos com árvores esparsas, chapadas, buritizais, chácaras e áreas urbanas. Parece ser mais abundante nas cidades do que em seu habitat natural, encontrando condições propícias de sobrevivência em ambientes com alteração antrópica.

Bastante comum, essa espécie ocorre em todo o estado de Goiás.

Maria-faceira (Syrigma sibilatrix)



 A Maria-faceira é uma ave Ciconiforme da família Ardeidae. Mede 53 cm de comprimento. O nome “faceira” está ligado às cores espetaculares da cabeça.

Uma das mais belas e coloridas garças brasileiras, vive solitária, aos casais ou em grupos familiares.  Os indivíduos jovens possuem uma coloração esmaecida, mas se parecem muito com os adultos.

Comum, habita campos secos, plantações, pastos, cerrados, campos de cupim, beiras de rios e lagos e lugares pouco alagados. Raramente caminha em águas rasas.  A espécie se beneficia da alteração antrópica em seu habitat, expandindo sua ocorrência com o desmatamento.

Anda a passos largos e calculados, como se observasse um perigo ou uma oportunidade de conseguir alimento.

Alimenta-se de insetos e pequenos peixes, ajudando a livrar os pastos das pragas. No final da tarde pousa em árvores altas para dormir.

Em voo, emite um suave tom aflautado e voa com o pescoço esticado, diferindo de outras garças.

Reproduz-se em casais isolados, fazendo o ninho (uma plataforma rala de gravetos) sobre árvores e arbustos, botando ovos levemente manchados.

Espécie de ampla ocorrência no estado. Comum.

Pombão (Patagioenas picazuro)


O pombão é uma ave Columbiforme da família Columbidae. Como o nome sugere, é uma das maiores espécies da família e a maior que ocorre em Goiás, onde é mais conhecida como pomba-de-bando. 

Também recebe os nomes populares de Asa-branca, pomba-verdadeira, pomba-trocal, pomba-carijó e pocaçu. Mede 34 cm de comprimento.

Come grãos cultivados e sementes nativas, apanhados no solo e em plantações, concentrando-se em bandos nos açudes e banhados para beberem ao final da tarde. A espécie foi beneficiada pela introdução de culturas de grãos.


Nidifica em árvores baixas nos cerrados, onde constrói uma plataforma frouxa de gravetos, entre dois e  quatro metros do solo, nos meses de maio a março. Põe 1 ovo branco, incubado entre 16 e 19 dias. O filhote é alimentado pelos pais com o “leite de papo”, uma massa composta pelo epitélio digestivo do papo, que é fortemente desenvolvido em ambos os sexos durante a época da reprodução. Esta substância é regurgitada para ser recolhida pelo filhote no bico dos pais. À medida que o filhote vai crescendo são adicionados sementes na alimentação. O filhote sai do ninho semelhante aos pais, um pouco menor e com a faixa branca da asa quase inexistente. Após o período reprodutivo associa-se em bandos, executando migrações.

O canto é baixo, profundo e rouco, de três a quatro sílabas: “gu-gu-gúu”, “gú-gu-gúu”.


Tem vôo rápido e forte, voando longas distâncias a grande altitude, entre as áreas de alimentação e de dormida. Em vôo, exibe a faixa branca na parte superior das asas.


Vive solitário ou em bandos de até dezenas de indivíduos, nos cerrados, bordas de matas de galeria, campos com árvores, áreas agrícolas e ambientes alterados, sendo frequentemente encontrado no solo. Expande sua área de ocorrência com o desmatamento e expansão de áreas agrícolas e cidades.


Apartir dos anos 80 colonizou as áreas urbanas do Brasil Central, onde se tornou bastante comum. De fato, a ocorrência dessa espécie é cada vez mais comum nas cidades, chegando a ser tão abundante quanto o pombo-doméstico (Columba livia) - (obs. pessoal -Anápolis).
Espécie presente em todo o estado de Goiás.

Anhuma (Anhima cornuta)


A Anhuma ou Inhuma (Anhima cornuta) é uma ave Anseriforme da família Anhimidae. É a Ave símbolo do estado de Goiás.

Mede 80 cm de comprimento. É uma ave de grande porte, tendo o tamanho aproximado de um mutum (Crax sp.). Possui na cabeça um espículo córneo com 12 cm de comprimento e dois enormes esporões nas asas.

É uma ave barulhenta, vocalizando mais durante o dia, reunindo-se em casais ou grupos familiares (Sigrist, 2009). Tive a oportunidade de ouvir e gravar sua vocalização em um brejo de Anápolis-Go, clique no link.
  
Alimenta-se de plantas flutuantes, gramíneas em alagados, sementes, artrópodes, anfíbios, pequenos répteis e peixes.

Nidifica sobre plantas aquáticas flutuantes, nas margens de rios ou sobre galhos baixos, construindo uma plataforma de talos e folhas da vegetação flutuante do local onde vive. O casal choca até 3 ovos brancos e costuma encobrir os ovos com folhas quando saem para se alimentar (Sigrist, 2010 - Iconografia das Aves do Brasil).

Ocorre em brejos, matas ciliares, matas de galeria, áreas abertas adjascentes, veredas, buritizais e áreas alagadas. Desaparece gradativamente com a degradação de seu habitat.

Espécie de ampla ocorrência no estado. Localmente comum. 

João-de-barro (Furnarius rufus)

 
O João-de-barro (Furnarius rufus) é uma ave Passeriforme da família Furnariidae. Também conhecido como barreiro e forneiro.

Mede 20 cm de comprimento. Um dos pássaros mais comuns e mais populares do Brasil Central, o joão-de-barro é muito comum em todo o Cerrado, especialmente em áreas antrópicas.

Caminha pelo chão, frequentemente pousado em postes, cercas, galhos isolados e outros pontos que permitam uma boa visão dos arredores.

Vive geralmente aos casais, mas pode ser visto alimentando-se em pequenos grupos. O casal canta em dueto (macho e fêmea juntos). A vocalização da espécie pode ser ouvida nesse link.

Alimenta-se de artrópodes e sementes capturados diretamente no solo, onde anda em rápidas passadas interrompidas por um passo mais lento, onde dá um curto intervalo, mantendo uma das pernas erguidas. 

Revira folhas e também vasculha troncos caídos em busca de alimento. Pode associar-se a pássaros campestres gregários como o pica-pau-do-campo (Colaptes campestris) ou o sabiá-do-campo (Mimus saturninus).

O joão-de-barro é uma das aves que tem o ninho mais conhecido. Faz um ninho de barro em forma de forno, do tamanho aproximado de uma bola de futebol, de onde derivam o nome popular e o da família (furnariidae).

Juntos, o casal escolhe um galho grosso, um poste ou o telhado de uma casa e transportam para lá, com o bico, barro úmido e esterco misturado à palha, cujas proporções dependem do tipo de solo (se arenoso, a quantidade de esterco chega a ser maior do que a de terra). No interior do ninho há uma parede que separa a entrada e a câmara incubadora, construídos para diminuir as correntes de ar e o acesso de possíveis predadores. Terminada a construção, o casal o forra internamente com palha e capim, onde são depositados de três a quatro ovos a partir de setembro.

Um ninho pesa em torno de 4 kg e sua construção demora entre 18 dias e um mês, dependendo da existência de chuvas e, portanto, de barro em abundância. O casal pode construir novos ninhos ao lado e até sobre o ninho do ano anterior, formando “pequenos edifícios”. Essa espécie é frequentemente parasitada pelo chupim (Molothrus bonariensis).

Uma vez abandonados, os ninhos do joão-de-barro podem ser ocupados por outras aves e até por mamíferos, como roedores e cuícas ou por abelhas silvestres.

Muito comum e de ampla distribuição no estado, ocorre em todo o cerrado goiano, principalmente em áreas antrópicas.

Arapaçu-beija-flor (Campylorhamphus trochilirostris)


Escasso, ocorre em sub-bosque de mata de galeria, mata ciliar, cerrado, cerradão, buritizais e capoeiras.

Mede de 22 a 28 cm de comprimento. Arapaçu inconfundível, com bico muito longo (7 cm) e curvo, avermelhado (bem intenso em alguns indivíduos). O nome popular se deve ao tamanho e curvatura de seu bico, que lembra o de certos beija-flores.

Apesar do longo bico, alimenta-se como outros arapaçus: escala troncos e galhos grossos a altura variável, muitas vezes bem baixo. Enfia o bico em fendas de cortiça e entre epífitas. Costuma juntar-se a bandos mistos. Vive solitário ou raramente aos pares.

O canto é uma série de assobios musicais, que lembra o dos formicaríideos.

Espécie presente em todo o estado de Goiás.

Referências:

*Ridgely, Robert S. Arapaçu-beija-flor (Campylorhamphus trochilirostris), in Gwynne, John A., Ridgely, Robert S., Tudor, Guy & Argel, Marta, 2010. Aves do Brasil Vol. 1. Pantanal e Cerrado. Editora Horizonte.